domingo, julho 14, 2024
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A brasileira de 27 anos que luta para obter direito a eutanásia no exterior

Aos 27 anos, a estudante de medicina veterinária Carolina Arruda sente dor 24 horas por dia. Ela sofre de neuralgia do trigêmeo, condição associada a uma disfunção do nervo trigêmeo, que causa uma dor considerada “a pior do mundo”.

Depois de quatro cirurgias sem nenhuma melhora nas dores, ela decidiu buscar a eutanásia, procedimento em que a morte do paciente é induzida com o seu consentimento. Como no Brasil o procedimento é ilegal, Carolina criou uma vaquinha para arrecadar recursos para sair de Bambuí (MG), onde mora, ir até a Suíça e realizar a operação. “Busco apenas paz e alívio”, escreveu ela no pedido de ajuda.

“[A eutanásia] está mais relacionada com empatia, com fornecer uma morte digna para a pessoa, Se fosse legalizada no Brasil, eu já teria feito”, disse ela ao Uol.As primeiras dores surgiram quando a estudante tinha 16 anos e estava grávida de quatro meses. Ela estava na casa da avó quando sentiu uma forte dor do lado esquerdo do rosto, semelhante a “um choque, uma facada”. Na ocasião, a jovem só conseguiu chorar e gritar.

Carolina passou por 27 neurologistas para receber o diagnóstico. A neuralgia do trigêmeo costuma acometer pessoas a partir dos 50 anos. Geralmente, o nervo é comprimido por um vaso sanguíneo próximo que, ao pulsar, acaba machucando o nervo. A doença não tem cura.Com o passar dos anos, as dores continuaram evoluindo. Hoje, ela as sente durante todo o dia. “Só consigo ficar em pé por alguns minutos, não consigo trabalhar ou estudar. Meu marido é quem me dá banho”, explicou.

A dor a impede de fazer tarefas básicas, como lavar a louça e brincar com a filha de 11 anos. A menina mora com a bisavó. “Eu desmaio de dor e fico hospitalizada constantemente, então não tenho condição de cuidar de uma criança”, expõe Carolina.A estudante passou por quatro cirurgias, duas em cada lado da face, e não teve melhora da dor. Na última operação que realizou, sofreu uma sequela que deixou parte do lado direito do rosto paralisado.Carolina recorre a várias medicações para tentar amenizar a dor, como opioides, anticonvulsivos e medicação para dormir.A família da estudante está ciente de que ela buscará a eutanásia. Compreende, mas não aceita. “A minha filha fala que, para uma pessoa chegar ao ponto de querer tirar a própria vida, é porque a dor é muito forte. Então ela compreende. Ao mesmo tempo, diz que vai sentir falta, que eu preciso pensar nela também”, afirma.

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Aos 27 anos, a estudante de medicina veterinária Carolina Arruda sente dor 24 horas por dia. Ela sofre de neuralgia do trigêmeo, condição associada a uma disfunção do nervo trigêmeo, que causa uma dor considerada “a pior do mundo”.

Depois de quatro cirurgias sem nenhuma melhora nas dores, ela decidiu buscar a eutanásia, procedimento em que a morte do paciente é induzida com o seu consentimento. Como no Brasil o procedimento é ilegal, Carolina criou uma vaquinha para arrecadar recursos para sair de Bambuí (MG), onde mora, ir até a Suíça e realizar a operação. “Busco apenas paz e alívio”, escreveu ela no pedido de ajuda.

“[A eutanásia] está mais relacionada com empatia, com fornecer uma morte digna para a pessoa, Se fosse legalizada no Brasil, eu já teria feito”, disse ela ao Uol.As primeiras dores surgiram quando a estudante tinha 16 anos e estava grávida de quatro meses. Ela estava na casa da avó quando sentiu uma forte dor do lado esquerdo do rosto, semelhante a “um choque, uma facada”. Na ocasião, a jovem só conseguiu chorar e gritar.

Carolina passou por 27 neurologistas para receber o diagnóstico. A neuralgia do trigêmeo costuma acometer pessoas a partir dos 50 anos. Geralmente, o nervo é comprimido por um vaso sanguíneo próximo que, ao pulsar, acaba machucando o nervo. A doença não tem cura.Com o passar dos anos, as dores continuaram evoluindo. Hoje, ela as sente durante todo o dia. “Só consigo ficar em pé por alguns minutos, não consigo trabalhar ou estudar. Meu marido é quem me dá banho”, explicou.

A dor a impede de fazer tarefas básicas, como lavar a louça e brincar com a filha de 11 anos. A menina mora com a bisavó. “Eu desmaio de dor e fico hospitalizada constantemente, então não tenho condição de cuidar de uma criança”, expõe Carolina.A estudante passou por quatro cirurgias, duas em cada lado da face, e não teve melhora da dor. Na última operação que realizou, sofreu uma sequela que deixou parte do lado direito do rosto paralisado.Carolina recorre a várias medicações para tentar amenizar a dor, como opioides, anticonvulsivos e medicação para dormir.A família da estudante está ciente de que ela buscará a eutanásia. Compreende, mas não aceita. “A minha filha fala que, para uma pessoa chegar ao ponto de querer tirar a própria vida, é porque a dor é muito forte. Então ela compreende. Ao mesmo tempo, diz que vai sentir falta, que eu preciso pensar nela também”, afirma.



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